Skip navigation

Caminhando para o serviço, passo em meio a uma praça, olhando as horas, vejo que tenho tempo. Sento-me em um banco, à presença de uma garota que ali estava. Sentado a ouvir musicas, olhando para esta tarde de domingo, quase ninguém por ali, vejo próximo, vários telefones, e em direção a um deles seguia uma mulher, com aspecto masculino, alta, forte, que se dirigiu a uma das cabines. Não ligando por não haver nada de anormal, continuei a me distrair com as melodias.

Ao meu lado via o transito passar, após certo tempo, vi que estava quase na hora, mas resolvi ficar mais um pouco. Foi quando a garota próxima a mim me apontou para aquela mulher alta…

“Minha vida nunca foi radical, nunca me envolvi com coisas perigosas, sempre fiquei na minha.Mesmo sabendo como é o mundo em que vivo, nunca me choquei com nada, mesmo vendo os jornais, os noticiários, toda a lamentável violência diária continuava sem interferir em meu mundo, pois estava impressa, não ao vivo.”

Aquela mulher havia enrolado o fio do telefone em seu pescoço, a cena era fria e silenciosa, ajoelhando-se tentava por fim ao sofrimento, vendo aquilo, na minha frente, pensei se ajudava, saia e perto, se deixava pra lá.Sem saber o que fazer, terminei por não fazer nada.Nunca imaginei que presenciaria uma cena daquelas em toda minha vida. Desviei minha visão, pensando se interferia no livre-arbítrio daquela mulher, temendo por ela o fim trágico do outro lado, a lamentação umbralina, ou se a deixava prosseguir e ver por si própria o fim das conseqüências de um ato tão frio. Me mantive olhando pra baixo, sem saber o que fazer, olhando poucas vezes aquela cena, a mulher tentava apertar mais o fio, ja estava meio vermelha.Pedi a Deus naquele momento que interferisse, que iluminasse a mente daquela pobre pessoa perturbada, ja que eu não teria tal coragem.

Ela desistiu, após um tempo sem sucesso, desistiu, desenrolou o fio do pescoço, e cabisbaixa parecia pensar na atitude. Levantou-se, colocou o fone no gancho, e seguiu.Desviei pra não olhar direto a ela, pois sabia um pouco do que ela sentia, parecia abatida, a circulação voltava ao normal. Caminhando sem rumo, parecia tentar achar uma lição no fracasso daquele ato. O tempo todo a garota ao meu lado parecia não ligar muito pra tudo aquilo, só achando bizarro o que a mulher tentara.

Ela seguiu seu caminho, atravessou a rua, sem tentar mais nenhum ato de desespero como antes, foi embora, só deixando aquela imagem de um domingo frio…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: