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Monthly Archives: fevereiro 2009

Caminhando para o serviço, passo em meio a uma praça, olhando as horas, vejo que tenho tempo. Sento-me em um banco, à presença de uma garota que ali estava. Sentado a ouvir musicas, olhando para esta tarde de domingo, quase ninguém por ali, vejo próximo, vários telefones, e em direção a um deles seguia uma mulher, com aspecto masculino, alta, forte, que se dirigiu a uma das cabines. Não ligando por não haver nada de anormal, continuei a me distrair com as melodias.

Ao meu lado via o transito passar, após certo tempo, vi que estava quase na hora, mas resolvi ficar mais um pouco. Foi quando a garota próxima a mim me apontou para aquela mulher alta…

“Minha vida nunca foi radical, nunca me envolvi com coisas perigosas, sempre fiquei na minha.Mesmo sabendo como é o mundo em que vivo, nunca me choquei com nada, mesmo vendo os jornais, os noticiários, toda a lamentável violência diária continuava sem interferir em meu mundo, pois estava impressa, não ao vivo.”

Aquela mulher havia enrolado o fio do telefone em seu pescoço, a cena era fria e silenciosa, ajoelhando-se tentava por fim ao sofrimento, vendo aquilo, na minha frente, pensei se ajudava, saia e perto, se deixava pra lá.Sem saber o que fazer, terminei por não fazer nada.Nunca imaginei que presenciaria uma cena daquelas em toda minha vida. Desviei minha visão, pensando se interferia no livre-arbítrio daquela mulher, temendo por ela o fim trágico do outro lado, a lamentação umbralina, ou se a deixava prosseguir e ver por si própria o fim das conseqüências de um ato tão frio. Me mantive olhando pra baixo, sem saber o que fazer, olhando poucas vezes aquela cena, a mulher tentava apertar mais o fio, ja estava meio vermelha.Pedi a Deus naquele momento que interferisse, que iluminasse a mente daquela pobre pessoa perturbada, ja que eu não teria tal coragem.

Ela desistiu, após um tempo sem sucesso, desistiu, desenrolou o fio do pescoço, e cabisbaixa parecia pensar na atitude. Levantou-se, colocou o fone no gancho, e seguiu.Desviei pra não olhar direto a ela, pois sabia um pouco do que ela sentia, parecia abatida, a circulação voltava ao normal. Caminhando sem rumo, parecia tentar achar uma lição no fracasso daquele ato. O tempo todo a garota ao meu lado parecia não ligar muito pra tudo aquilo, só achando bizarro o que a mulher tentara.

Ela seguiu seu caminho, atravessou a rua, sem tentar mais nenhum ato de desespero como antes, foi embora, só deixando aquela imagem de um domingo frio…

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